Voltei, acho que tenho mais crises no fim do ano... Já vai fazer um ano que eu posto aqui para tentar organizar os meus pensamentos, minhas ideias, e tentar achar uma luz no fim do túnel.
A verdade é que a realidade dói demais, ao mesmo tempo que eu me sinto sortuda por ter casa, carro, dinheiro, eu me sinto uma merda porque os demônios do passado continuam me afrontando. Agora mais do que nunca.
Não tem um dia que eu não pense em morrer e, de repente, eu estou cansada de alimentar esperanças de que a minha vida mudará. Mesmo que eu me esforce a minha mãe e a minha avó vão continuar dependendo de mim.
Eu sinto como se tivesse nascido só para cuidar dos outros e isso é mais deprimente do que parece. Eu me sinto culpada por tudo, também estou sozinha faz muito tempo...
Então a cada dia eu me isolo mais, criei um universo paralelo e particular onde tudo dá certo, lá eu vivo da minha música, não tenho dívidas, não fiquei mentalmente fodida depois de tudo.
Não gosto de me vitimizar, por isso só o faço aqui, meu lugar particular na Internet. Eu sei que é errado você criar um mundo só seu, uma realidade só sua, e se negar a viver no mundo real.
Cada vez mais eu quero ser uma espécie de alterego meu e isso é assustador. Eu tinha tudo para ser mentalmente saudável, mas a vida foi dura comigo. Estupro, homicídio, término de namoro, bullying, pobreza, família dependente e, principalmente, o controle que a minha mãe exerce sobre mim.
Ela me carrega para todos os cantos, surta se eu tento dar os meus próprios passos... No universo paralelo eu não tenho ascendentes e não sinto falta deles. Se eles morressem no mundo real eu enlouqueceria mais ainda, eles são a minha realidade.
Todos os dias eu me pergunto se o meu esforço está sendo em vão, provavelmente sim, eu sempre nado muito e morro na praia porque tem uma coisa ruim que me persegue e torna a minha vida horrível desde sempre.
Por que continuar viva? Por que não temos controle sobre a nossa morte? Não podemos definir hora nem lugar, por isso eu continuo aqui, no meu próprio mundo, impenetrável, feliz e livre de todas as desgraças que já me acometeram.