Estava me lembrando como foi quando noivamos, ele tinha acabado de completar 18 anos, em maio eu completaria a minha maioridade. Ele parou de estudar e eu segui para o curso técnico de informática.

Foi em fevereiro, dia 14, uma terça feira de carnaval, nos encontramos e enquanto eu falava sobre como queria aprender a tocar violão, ele pegou a minha mão e perguntou: Vamos casar depois da faculdade?

Simples assim, sem anel, sem ficar de joelhos e sem planejamento. Eu comecei rir de nervoso e ele olhou nos meus olhos e disse "É sério, eu quero ser seu, eu quero ser o pai dos nossos filhos, nós vamos dar um jeito, vamos noivar e ir com calma".

Ganhei o meu anel no domingo, dia seguinte ao meu aniversário, e ele prometeu ficar do meu lado para tudo o que viesse e eu também prometi. Agora à noite eu me levantei para ir ao banheiro, esbarrei na minha estante de livros e meu porta jóias voou e aterrisou direito no meu pé direito.

Abaixei para catar as jóias e ali estava a aliança, brilhante, como uma lembrança dos meus bons momentos. A gente terminou em fevereiro e eu só tirei a aliança do meu dedo anelar em junho, quando eu fiquei com outro cara porque estava bêbada e cheia de tesão.

Fiquei chorando de soluçar até agora pouco com o travesseiro grudado na cara para abafar o som. Mais cedo eu vi fotos minhas de quando tinha 18 anos, eu parecia mais jovem.

Agora meus olhos perderam o brilho, tem "bolsas de pele" em volta deles e o meu cabelo era todo loiro, hoje contei, já tenho 20 fios brancos, 18 deles nasceram nos últimos seis meses, depois do término.

Aquela aliança pertence ao meu dedo, eu pertenço à ele e ele pertence a outra e eu não posso mudar isso. Estou com a aliança na mão, resistindo à vontade de colocá-la no lugar onde sempre esteve, mas a minha mente ecoa "Chega de comportamentos doentios".

Hoje eu vou dormir agarrada à essa aliança, quem sabe ela cai da palma da minha mão durante a noite e some junto com esse sufoco...


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