Nunca fui fã de crianças, desde pequena eu fico irritada para um caralho com aqueles encapetados que se jogam no chão no meio do mercado e começam a gritar até ficar roxos, se eu nunca fiz isso e sobrevivi até a adolescência, porque eles fazem?

Sempre odiei aquelas mães que, enquanto a criança está fazendo o maior escândalo, elas ficam só observando o espetáculo com aquela cara de "Que tédio ficar controlando essa criança".

Depois que eu descobri a minha doença no sistema reprodutor e uma maldição hereditária (que eu já tentei quebrar de tudo quanto é jeito) eu desisti de ser mãe.

Eu estava feliz com a minha decisão, e tranquila, pois se o meu quadro piorasse e eu tivesse que fazer a histerectomia (retirada do sistema reprodutor) eu não ficaria chorando pelos filhos que eu nunca tive.

Até que as minhas amigas de porre engravidaram juntas, não foi de propósito, e de um dia para outro tudo o que elas falavam era em berços, chupetas, fraldas e educação dos filhos.

Quando elas podiam ter os bebês a qualquer momento, uma amiga minha da faculdade engravidou e eu vi ela e o namorado noivando, comprando a casa própria, planejando a vida com o bebê.

Quando o filho da primeira amiga nasceu eu chorei por horas a fio simplesmente porque achei fofo, menos de uma semana depois, o bebê da outra amiga nasceu e eu chorei novamente e, então percebi, que eu estava tão chorona porque na verdade a minha vida estava estagnada.

Tinha acabado de terminar o namoro, estava iniciando o segundo ano da faculdade, morando com a minha mãe, afundada em dívidas e com uma família que depende de mim para tudo.

Hoje, lendo um texto que a terceira amiga escreveu sobre a gravidez dela, eu chorei de novo porque me apavora ver todo mundo achando o início do seu felizes quase sempre e eu aqui, de luto porque quem eu amo encontrou o seu felizes para sempre com outra pessoa.

Me entristece pensar que enquanto eu tenho a minha família eu estou presa à eles e quando eu tiver a liberdade não terei com quem compartilhar as pequenas doses de felicidade diária que terei.

As vezes me dá vontade de zerar a vida e recomeçar, eu amo a minha família e eles me amam, eu não mudaria de família, mas os guiaria para não estarmos sofrendo tanto agora...


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