Tudo o que eu sentia era dor, um torpor profundo que atingia minha alma. Respirei fundo em busca de ar fresco, todavia quando a primeira lufada atingiu o meu pulmão senti como se estivesse queimando em brasas.
Cada cicatriz que eu tinha, deixadas pelos sofrimentos proporcionados pela vida, se alastraram cobrindo-me a visão. O breu tomou conta de mim.
Meu corpo parecia pesar toneladas, tentei mover a mão, mas nem um dedinho, ao menos, tremeu. Aquilo estava fora do meu controle, como um trem desgovernado prestes a abandonar os trilhos.
Assim era eu com a vida, decidi encarar o desconhecido em busca de paz anterior, agora sinto-me leve, estou indo em alta velocidade contra o teto deste banheiro.
Arrisco uma última olhada, vejo uma mulher de pele clara, cabelos escuros, envolta pela água ensanguentada da banheira. Outrora aquela fora eu, agora pagarei por acabar com algo que não era meu.