Dizer que você nunca pensou se matar é hipocrisia, especialmente se você está cansado de ver a sua vida ruir enquanto você tenta remendar aqui e ali.
Já tentei me matar um par de vezes, sendo a primeira delas aos onze anos de idade, foi bem escroto na realidade, eu enfiei a cabeça no vaso sanitário e dei a descarga achando que iria me afogar com sorte.
Aos doze eu comecei a praticar automatização e um dia, fazendo isso com uma lâmina de gilete eu fiz um pequeno corte no pulso, usei uma "munhequeira" por semanas para ninguém notar, a cicatriz permanece.
Ainda aos doze anos, quando a minha mãe foi internada com risco eminente de morte, eu me joguei de uma escada pensando "tanta gente morre batendo a cabeça no meio fio, eu com certeza morrerei".
Aos treze anos, quando vi a minha primeira paixão ficando com outra e todos descobriram que eu era BV (Boca virgem) eu me debrucei na janela do meu apartamento e, tentei arrumar coragem para me jogar, mas acabou que eu fiquei horas esperando um "impulso invisível" me jogar de lá de cima.
Aos quinze anos, quando a minha mãe estragou a minha festa, eu cortei o pulso esquerdo, fiquei observando o sangue escorrer pelo meu braço, depois de algum tempo eu fui resgatada e me salvaram.
Aos dezessete, depois de quase ir presa por engano e ver o meu melhor amigo se mudar para Sydney eu tomei vários remédios de tarja preta junto com pinga. Fui socorrida novamente.
Aos vinte e um, depois que ele me largou eu repeti o coquetel de remédios tarja preta e pinga, mas dessa vez eu me automutilei até não aguentar a dor. Dessa vez ninguém me acudiu.
Segunda feira eu pensei nisso, pensei na carta de despedida que eu tenho salva no computador desde 2008, eu só quero um alívio para a alma quando faço isso.
A morte é a certeza de que o sofrimento vai cessar um dia, querer antecipar é plausível se você é como eu.