Tem dias que a vontade de me matar é tão grande que eu me sinto sufocada pelo peso da vida.
Eu me mutilo, mas é apenas uma válvula de escape, não é algo definitivo do jeito que eu queria que fosse.
Sou apenas uma pessoa e me sinto insuficiente diariamente, não consigo ser a filha perfeita, a acadêmica exemplar e tem dias como hoje que eu sinto que a minha existência é inútil.
Eu só sirvo para incomodar os outros, gerar despesas e causar tristeza nas pessoas que eu me importo.
Toco na ferida não cicatrizada porque sei que a dor se intensifica quando eu faço isso e eu sou tão tóxica que deveria sofrer.
Sinto o gosto metálico do sangue misturado com o gosto salgado ds lágrima e isso me é tão familiar.
Não quero uma grande despedida, só quero partir do mesmo jeito que cheguei. Vim do pó e ao pó eu irei.
É meu destino, não precisa fazer velório chique não, nem se incomode em chorar quando vir o meu corpo indo para o seu destino final...
Quero ir tranquilamente, se me é permitido desejar algo, e você não precisa fingir que eu tive alguma importância durante a minha breve vida neste planeta.
Os piores infernos que vivi ninguém sabe nem nunca saberá, são feridas que nunca cicatrizam, não importando o tempo que passe...
As deixo bem escondidas em um lugar onde não posso acessar conscientemente.
Me deixe dar o meu adeus, que se apaguem os holofotes, fechem as cortinas, deixem que eu me misture ao breu que foi a minha vida.