Faz 21 horas que ele revelou tudo, eu continuo passando mal, o gosto amargo permanece, eu estou confusa e machucada, sei o que devo fazer, mas é difícil resistir ao pedido do meu coração.
Então decidi escrever para organizar os meus sentimentos, sabe, eu ainda te amo, esse um ano longe de você me matou aos poucos e eu me meti em todo tipo de relacionamento doentio.
Dei o meu melhor porque quis mudar para termos uma vida juntos, para que eu me equiparasse a você. No meio do caminho encontrei o álcool e me entreguei.
Comecei faltar ás aulas, gastar todo o meu salário em Skol Beats, Catuaba e cerveja da ruim. O primeiro cara que fiquei depois de você foi bom, no início, mas não se comparou ao que eu sinto por você.
Quando eu achei que estava te esquecendo, ele me destruiu, descobri que o que nós tínhamos na verdade era só uma brincadeira. Ele assumiu um relacionamento sério no Facebook e eu fiquei sem ar.
Passou dois meses, pensei em te chamar, era madrugada, no dia seguinte invadiram o meu apartamento, eu vi a assassina da minha tia rindo da minha cara.
Passei mal, tive um ataque de pânico, fui levada para o hospital e, então, percebi que eu ainda precisava de você. Naquela noite você anunciou que estava namorando, achei que fosse piada, me segurei, mas no final não era, você assumiu um relacionamento sério com ela.
Nunca me senti tão destruída, não saía do quarto escuro, parei de me alimentar, dormia o máximo que podia e comecei a usar a faculdade como válvula de escape.
Meus amigos viram o zumbi que eu virei, minha família percebeu que tinha alguma coisa muito errada e, em outubro, um amigo resolveu me ajudar nessa.
Ele ficou comigo nos melhores e piores dias, me prometeu que um dia essa dor ia passar e eu acreditei porque sabia que aquilo era a minha última gota de esperança.
Em dezembro parei de beber, comecei a me cuidar, tentei me odiar um pouco menos, passei um tempo com a minha família, escrevi um livro sobre nós dois.
Em janeiro eu pensei que iria iniciar 2017 de cabeça erguida, a minha vida sempre foi uma bosta, mas isso não significa que eu preciso aceitar tudo e me fazer de coitadinha.
Então você surgiu com um pseudônimo, comecei a conversar com você, falamos sobre sofrer por amor, tentei mostrar que se reerguer é possível, disse que ainda te amava e revelei meus sentimentos mais profundos.
Exatamente um ano depois do término eu comecei o dia bem, tomei café da manhã, estudei, comecei preparar minha iniciação científica, procurei o meu orientador, escrevi mais um pouco do meu livro novo e cantei algumas músicas felizes.
Então você me chamou e começamos a conversar, depois disso eu só lembro que tudo ficou confuso, a minha cabeça começou a latejar, meu fígado a doer e o gosto amargo invadiu o meu paladar.
Comecei tremer e chorar, sentada no chão do banheiro, procurei algum amigo que pudesse me situar, chorei com todo o fôlego, abracei meu cachorro, desmaiei e acordei sozinha e com dor no fígado.
Passei a noite toda em claro, escrevi 75% de outro livro novo, tive febre de 39,5○C e tentei controlar o conflito interno entre sentimento e razão.
Eu e você sabemos que, agora, você só quer ficar comigo e depois voltar para ela, o problema é que o sofrimento faz a gente amadurecer demais e, no último ano, percebi que sexo não é para ser casual.
Vi, pela primeira vez, tudo o que o futuro me reserva, percebi que o sofrimento de hoje me fará uma pessoa incrível amanhã. Eu queria te ter para mim, mas queria que tívessemos um relacionamento sério.
Eu não quero ser aquela que você vai falar para a sua namorada "Fiquei com uma pessoa enquanto estávamos dando um tempo, mas não foi nada" porque para mim é muito.
Queria que você me esperasse, mas não estamos em um dos meus livros, isso é vida real, eu sou real, meus sentimentos por você são genuínos e, antes de me envolver com alguém, ou com você de novo, eu preciso aprender a ter amor próprio.
Eu falaria "Não quero nada nesse sentido com você, mas nós podemos ser amigos", mas, cada vez que eu te visse com outro alguém, o meu coração se machucaria de novo.
Não é um adeus, é um até logo, até um futuro em que nós estejamos cansados de trepadas sem qualquer sentimento e sejamos maduros o suficiente para termos algo sério.