Eu vou aproveitar que por aqui ninguém sabe quem eu sou e vou me abrir porque a noite chegou e eu estou bem mal nesse exato momento, precisando me abrir com alguém, principalmente porque assistindo um vídeo eu me toquei de algo que estava bem escondido em meio à minha confusão sentimental.
Eu nunca fui uma pessoa de sorte, sempre fui tida como uma pessoa que sofria de sérios problemas psiquiátricos e, apesar de muita gente achar o contrário, nada nunca veio facilmente para mim, começando pela minha própria vida, lutei por meses a fio para sobreviver e, infelizmente, sobrevivi.
A primeira lembrança ruim que eu tenho é do bullying, tinha uma menina mais velha na minha sala e ela roubava as minhas coisas, me batia e tentou me empurrar algumas vezes da escada. Um dia eu soquei a cara dela e ainda tomei a minha primeira suspensão por me defender enquanto ela estava me socando.
Minha mãe passou boa parte da minha infância longe, ela trabalhava viajando e sempre fez tudo isso para melhorar a minha vida, mas na realidade só piorou tudo. Conto nos dedos quantos aniversários ela passou comigo e em quantas festas da escola ela estava entre os pais me aplaudindo.
Pai é uma pessoa que eu nunca tive na minha vida e a família dele, na minha opinião, não passam de uns canalhas, vagabundos e imprestáveis. Eles sempre vieram atrás de mim quando lhes interessava, uma vez a gente estava numa puta crise financeira e meu tio me perguntou o que eu precisava.
Eu tinha um único All Star e, por causa de usá-lo diariamente, a biqueira caiu, aquele filho duma puta me mandou colar com Silver Tape, uma fita colante que os surfistas usam para remendar suas pranchas. Meus avós paternos me prometeram que me dariam a boneca Banhinho de dia das crianças e eu fiquei em casa até 21h00 esperando. No dia seguinte a vagabunda da minha avó me ligou dizendo que gastou a grana da boneca no bingo e em cerveja.
Aos 10 anos de idade eu fui vítima de pedofilia, o cantineiro me convidou para tomar um picolé dentro da cantina e eu fui, boba, quando entrei ele abaixou a calça e pediu que eu fizesse o movimento com a mão em volta do pênis dele, eu tentei tirar a mão e ele segurou e tapou a minha boca com a outra.
Então em certo momento abaixou a minha calça e o resto vocês já sabem, depois daquele momento foi como se eu tivesse perdido a minha infância, toda a cor na minha vida, a minha mãe estava em Brasília e não soube o que fazer. O maior estrago já estava feito. No mês seguinte eu comecei a menstruar e desde então tenho problemas sérios no meu sistema reprodutor, sempre me pergunto se foi por causa disso que eu sofro até hoje.
O cara continuou trabalhando como cantineiro e eu continuei estudando na escola até ser expulsa. Depois disso eu parei de me arrumar, estudar e comecei a planejar o meu primeiro suicídio. Quando se trata de vida familiar eu nunca tive segurança. Desde cedo eu percebi que a minha família não vale nada.
Todos são esnobes, nas festas de família eles competem entre si para ver quem tem a coisa mais cara, a futilidade é tanta que alguns nem sabem usar as coisas que levam. Como a minha parte da família faliu depois de um golpe do diretor da empresa no meu avô, a gente era considerado escória e era tratado como tal.
Raramente me cumprimentavam, enquanto os outros sentavam em uma mesa toda cheia de enfeites, nós sentávamos em uma mesa junto com dois primos que sofrem de esquizofrenia e quando eu saia para brincar com os meus primos todos eles entravam para dentro do salão.
Minha mãe tem síndrome pós traumática e não suporta ficar dentro do hospital, por conta disso, toda vez que ela vai, ela acaba indo parar na UTI, sempre como a paciente em pior estado de saúde. Eu nunca sei se vou ter a minha mãe no dia seguinte, só sei que em algum momento vou ficar sozinha.
Aos treze anos, numa dessas idas desastrosas dela para o hospital eu comecei a fumar, criei um namorado imaginário e vendo o Multishow de madrugada eu tentei me tocar pela primeira vez, na vida e fiquei observando como tudo estava, será que se aquilo não tivesse acontecido eu teria que fazer algo que é para sentir prazer, chorando?
Aos treze anos eu perdi o BV, mas não foi de língua e nem nada e, para falar a verdade, eu minto sobre o real momento que perdi o BVL, foi aos 15, quase 16 anos na verdade. Eu sei, uma merda. O relacionamento com o cara que agora está me deixando em destroços começou na base da putaria e eu me entreguei.
Usávamos nossas bocas em outros lugares, nunca tinha beijo ou preliminares, a gente já ia direto para o sexo oral e quando ele me beijou eu fui péssima, fiquei respirando pela boca e abrindo e fechando os olhos, e mordi o lábio dele com muita força. Um dia ele terminou comigo, sem explicação, e em dezembro, no último dia de aula do ensino médio ele pediu para a gente fazer sexo no banheiro.
Eu hesitei porque ele tinha terminado comigo, me arrependo até hoje. Depois disso a gente manteve contato e eu queria MUITO dar para ele, mas a minha mãe entrou na faculdade, parou de viajar e começou a trabalhar como "perseguidora de filha profissional", eu também estava indo na igreja.
Eu considero o meu tempo na igreja um dos piores, eu sei que foi Deus que fez acontecer e foi bom porque eu aprendi a ter um relacionamento com Ele, mas eu fui massa de manobra de pastores que mostram o anel de ouro em rede nacional e ainda choram dizendo que a igreja está falindo.
Eu conheci dentro da igreja uma obreira que era candidata a pastora e a mulher também trabalhava como cuidadora de idosos, minha madrinha de 92 anos estava meio mal de saúde e como eu andava muito ocupada minha mãe contratou essa PUTA DESCARADA.
No início estava tudo bem, até que uma médica aposentada se aproximou dela e as duas começaram a cuidar da minha madrinha juntas. Eu lembro do dia que Deus me avisou que elas iam matar a minha madrinha, eu me sinto uma assassina junto com elas porque eu permiti, apesar de Deus ter me avisado.
No dia 10 de julho de 2012 eu vi a minha madrinha ser morta, a cuidadora roubar tudo o que tinha dentro do apartamento e a médica aposentada pegar o cartão da minha tia (que também era madrinha) e ir até o banco tentar retirar o dinheiro da conta. Minha tia foi levada para a verificação de óbito e minha mãe e meu primo acompanharam o corpo, o laudo deu que foi homicídio e o legista perguntou se a minha mãe queria seguir em frente e ela disse NÃO.
Ele rasgou a nossa única prova e ali acabou a esperança de justiça em nome da minha madrinha. EU NUNCA VOU PERDOAR A MINHA MÃE POR ISSO, ELA FOI MUITO BURRA, ESTÚPIDA, IGNORANTE, BURRA PRA CARALHO. O cara ficou do meu lado, mesmo quando eu enlouqueci literalmente.
Eu falava com as paredes, com a cama vazia, prometi que eu ia matar essas VAGABUNDAS CUSTE O QUE CUSTASSE. Ele ficou do meu lado, conversava comigo e me convencia que eu era melhor do que elas e não merecia ir viver numa cela como assassina.
Depois disso eu decidi fazer direito e virar juíza, EU VOU FAZER A JUSTIÇA EM NOME DA MINHA TIA PELO RESTO DA MINHA VIDA. Nessa época eu questionei a minha fé, minha ideologia e até quem eu era. Ninguém que fosse o minimamente bom teria deixado a sua tia morrer, não é mesmo?
Eu herdei tudo o que era dela, mas infelizmente a minha prima é testamenteira, eu disse que não queria ficar com nada, mais uma vez MINHA MÃE, E SEU RETARDAMENTO MENTAL EXTREMO, me obrigou a aceitar a herança, foi outro grande erro que eu cometi.
Até hoje tudo o que essa herança me deu foi desgosto, extremo, vontade de morrer todos os dias, ataques de pânico, insanidade perante a sociedade. Quatro meses mais tarde o condomínio veio com a história de que precisava estourar a coluna por causa de um vazamento, eu pedi para a minha mãe procurar um empreiteiro que não fosse indicado pela administradora.
PELA MILÉSIMA VEZ ELA ME IGNOROU e pegou o empreiteiro recomendado pela administradora. Resultado? Quatro anos se passaram e meu apartamento continua quebrado, em pedaços. As pessoas imprestáveis do condomínio nunca me deixaram alugar o apartamento, eu vou perder ele também.
A grande mente por trás da minha desgraça? A médica aposentada que matou a minha tia. A um mês atrás eu tive o desgosto de encontrar aquela VADIA dentro do quarto em que ela matou a minha tia, ela arrombou o meu apartamento e estava rindo. PUTA, ESCROTA DO CARALHO.
Eu não sei como não matei ela, foi Deus que me impediu, porque o cara tem razão, elas são assassinas, elas merecem apodrecer numa cela, eu tenho que fazer justiça pela minha tia, pela criança de 10 anos que morreu enquanto perdia a sua virgindade no chão imundo de uma cantina, pela sobrinha que viu a sua tia ser morta à sangue frio.
No dia 6 de fevereiro a gente marcou de fazer sexo e depois de anos idealizando aquilo eu sabia que ia ser perfeito, em setembro de 2015 eu me abri com a minha mãe (comprovando que a burrice extrema é genética) e no dia ela me impediu de ir. Meu maior erro.
No dia seguinte que eu vi a assassina da minha tia, dentro do quarto em que 4 anos atrás ela cometeu o crime, ele assumiu que estava namorando com outra, ele não estava ali para me apoiar mais e, desde então, eu tenho sobrevivido, mesmo sem querer. Eu só tenho medo de estar me esforçando hoje para ver tudo ruir amanhã.
A minha insanidade é justificada, outras pessoas não aguentariam passar por 1/4 do que eu passei e continuar com a cabeça erguida dia após dia, elas não sabem de nada porque eu simplesmente não quero falar e dar mais motivos para me atacarem, mas elas são fracas e acham que são alguém para me julgar insana.
Tente viver dia a dia vendo tudo o que você construiu ruir, vendo todos que você ama se afastarem, e me diga se é possível ser normal assim. Não é, eu tenho vontade de me matar todo dia e, ainda, encontro forças dentro de mim e procuro uma chama de esperança que me diga que alguma hora a vida vai melhorar.
Ok... PARABÉNS SE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI E PARABÉNS PARA MIM QUE FALEI SOBRE ESSES ASSUNTOS PELA PRIMEIRA VEZ NA VIDA